O que você precisa saber sobre o Transtorno Bipolar

Tempo de leitura: 7 minutos

É comum ouvirmos na mídia casos de pessoas famosas com transtorno bipolar. Selena Gomez, Mariah Carey, Rita Lee, Vincent Van Gogh, são alguns exemplos. O transtorno afetivo bipolar (TAB), é uma questão de saúde mental grave que merece nossa atenção.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno afetivo bipolar atinge atualmente cerca de 140 milhões de pessoas no mundo e é considerado uma das principais causas de incapacidade e de suicídios.

Gosto de pensar em exemplos simples que podem nos ajudar a compreender esse transtorno, por isso deixo aqui algumas indicações para você. O filme “O lado bom da vida” de 2013 apresenta a história de Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) que tem TAB e precisa aceitar o tratamento e aprender a lidar com os sintomas. E também temos bons livros como: “Uma mente inquieta: memórias de loucura e instabilidade de humor” da autora Kay Redfield Jamison e o livro “Uma viagem entre o céu e o inferno” de Luiz Humberto Leite Lopes.

Para começarmos é importante dizer que todos nós temos altos e baixos ao longo dos nossos dias, as vezes ficamos mais tempo para “baixo” – tristes, sem ânimo – já em outros dias ficamos mais tempo em “alta” – animados, otimistas, cheios de perspectivas-. Essas alterações de humor são normais e vão depender muito de pessoa para pessoa, do que estamos vivendo no momento e do nosso funcionamento psicológico e fisiológico. 

Bem, neste texto gostaria de auxiliá-los a identificar quando isso tudo ultrapassa o limiar de mudanças de humor e passa a trazer um sofrimento com prejuízos para a vida diária da pessoa. Prejuízos na sua vida pessoal, social, nos relacionamentos, no trabalho e na sua qualidade de vida de maneira geral. 

O que é o Transtorno Bipolar?

Segundo o Ministério da Saúde o transtorno afetivo bipolar (TAB) é um transtorno de humor caracterizado pela alternância de episódios de depressão e de euforia (também chamada de mania) e hipomania, ou seja, a pessoa tem alterações de humor que vai da tristeza profunda à euforia excessiva, com períodos sem sintomas entre eles. As crises podem variar em intensidade, frequência e duração. 

É uma doença complexa, tem muitas variações e é dividida em três principais tipos: Transtorno Bipolar tipo I, Transtorno Bipolar tipo II e a ciclotimia. Para cada tipo de transtorno bipolar há características muito específicas e únicas que interagem entre si quando em relação às fases depressivas, maníacas ou hipomaníaca, por isso será necessário que cada caso seja investigado pelo profissional de saúde de maneira a saber identificá-las e planejar o tratamento.

O tratamento demanda acompanhamento conjunto de profissionais psicólogo(a) e psiquiatra com uso de medicação, com mudanças no estilo de vida, pois a bipolaridade envolve alterações neurobiológicas e psicológicas que precisam de acompanhamento, o tratamento requer planejamento a longo prazo. 

O que é o episódio depressivo e de euforia (maníaco e hipomaníaco)?

Diferente da depressão, na bipolaridade a pessoa alterna entre os estados depressivos e eufóricos (maníacos), muitas vezes ao longo da sua vida. 

Na fase depressiva, alguns sintomas característicos são:

– Perda de interesse ou prazer nas atividades que antes davam prazer;

– Fadiga ou perda de energia quase todos os dias;

– Desânimo e cansaço mental;

– Ansiedade e irritabilidade;

-Sentimentos de inutilidade excessiva ou inapropriada, isolamento social, a pessoa pode sentir grandes dificuldades de sair da cama ou encontrar qualquer sentido no seu dia e na sua vida. 

– Perda ou ganho significativo de peso sem fazer dieta;

– Insônia ou aumento acentuado do sono;

 – Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão quase todos os dias e pensamento recorrente de morte. 

Na fase da mania ocorre o aumento persistente e anormal de energia, com sintomas como:

– Aumento de energia; 

– Aceleração do pensamento e da fala, fuga de ideias;

– Agressividade, irritabilidade e desinibição;

– Agitação e hiperatividade, aumento das atividades de trabalho, escola, tarefas etc. 

– Ideia de grandiosidade e de sensação de “poder”;

– Redução da necessidade de sono;

– Sensação de extremo bem-estar;

– Valorização da autoestima;

Na fase hipomaníaco os sintomas são muito parecidos com mania, porém em menor escala, o que fica mais difícil de ser reconhecido. Caracteriza-se pelo humor anormal e persistentemente elevado, com irritabilidade, aumento anormal de energia. A pessoa geralmente fica mais eufórica, mais comunicativa, sociável e ativa do que o habitual. 

O transtorno bipolar é complexo, não tem uma causa única, o que sabemos é que ele resulta de uma série de fatores que interagem entre si como genéticos, biológicos, alterações em certas áreas do cérebro, problemas hormonais associados a fatores ambientais como estresse, traumas, violências, entre outros. 

Quando devo buscar ajuda?

Bem, é provável que se isso esteja acontecendo com você ou com alguém que você conheça, essas características de dias ou meses em profunda tristeza e outros de excessiva euforia já tenha ocorrido e que de alguma forma esses dias trouxeram prejuízos, sejam relacionais, financeiros, sociais ou familiares. 

As pesquisas apontam que na maioria dos casos as pessoas buscam ajuda na fase depressiva, pois essa fase apresenta características menos “aceitáveis” socialmente se comparada com a fase da mania em que a pessoa é muito produtiva e cheia de energia.

Se você não está conseguindo perceber essas alterações, procure ouvir, prestar atenção quando um colega, amigo ou familiar diz a você que está percebendo comportamentos estranhos, geralmente não habituais como, por exemplo, compras compulsivas e sem necessidade, mudança de vestimenta, no exagero da autoestima e da ideia de grandiosidade ou outras características que podem estar presentes. Às vezes, os outros percebem características em nós que não estamos conseguindo perceber ou estamos negando para nós mesmos. 

Lembre-se que, quanto antes você identificar e buscar ajuda profissional melhor será!

Como a psicologia pode ajudar?

No acompanhamento psicológico se busca auxiliar a pessoa a compreender-se, a reconhecer os sinais e sintomas de cada fase para desenvolver estratégias de autocuidado, a reconhecer as suas dificuldades e como gerenciá-las na sua vida a partir de seus recursos internos, familiares e sociais. 

Junto com o acompanhamento médico e medicamentoso, as intervenções visam diminuir as situações de risco como os pensamentos suicidas, diminuir a intensidade dos episódios de alternância depressiva e eufórica de maneira a proporcionar uma qualidade de vida maior. 

Como a família pode ajudar?

O apoio, respeito e acompanhamento da família será fundamental para a pessoa com TAB. É importante que a família saiba o que é o transtorno, o que fazer quando uma situação de risco ocorre e a como ajudar a pessoa com TAB a seguir o tratamento. Uma vez que, por ter a característica de oscilar entre depressão e euforia, as pessoas com bipolaridade costumam largar o tratamento na fase da euforia, energia e produtividade, pois sentem-se muito bem, o que acaba comprometendo o tratamento. Todas essas informações, a família terá com a ajuda profissional.

Para os familiares também não será um processo fácil e em muitos casos a família também precisará de ajuda e poderá participar de grupos terapêuticos, da psicoterapia familiar ou individual, dependendo da situação.

A Associação Brasileira de familiares amigos e portadores de transtornos afetivos também poderá ser um suporte a família e você pode conhecer mais em: https://www.abrata.org.br/

O apoio psicossocial também é fundamental: amigos, vizinhos, conhecidos podem ajudar praticando a compreensão, a escuta e o incentivo e evitando críticas e julgamentos. 

Referências: 

Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos do Humor (ABRATA).

Ministério da Saúde.

American Psychiatric Association. DSM-IV: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5ª Ed.). Porto Alegre: Artmed, 2014.

Imagem: Photo by Nick Fewings on Unsplash

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *